quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tesão à flor da pele

por H. Thiesen 

Acordei com o corpo banhado de suor, o cansaço e a preguiça tomavam-me. Creio que estive sonhando, ainda um pouco tonta notei que meu corpo queimava e um desejo ardente me dominava.
Acordei sozinha, sentia-me abandonada e enraivecida. Se alguém estivesse alguém do meu lado, daria tudo o que pedisse. Cansei de lutar contra os meus pensamentos, contra a dor do desejo, que teimava arder no meio das minhas pernas. Adormeci novamente e sonhei!
Sonhei que eu estava sendo caçada e meu faro de caça acuada, alertava-me de um perfume estranho. Meus olhos de caça assustada, me deixavam na espreita e avistavam no meio de brumas, um caçador vigoroso em diligência no meu encalço. O perfume, o medo e a beleza do caçador, me excitaram e, desejei ser caçada.
Era uma noite que eu não sei qual, não sei se um dia ainda ela será e nem mesmo sei se ela virá. A mim pouco importa, se tudo foi sonho ou se um dia realidade se tornará.
Importa-me apenas, que eu era uma fera acuada, na espreita, em busca de uma oportunidade ao bote.
Meu corpo estremeceu, sobreveio-me vontade enorme e o meu desejo tornou-se devastador. Entre as brumas e os arbusto eu me escondia e fugia. Procurava uma maneira de virar o jogo e passar de caça à caçadora.
O caçador com a sua astúcia, deixou-me confusa e me alcançou e tombei. Tombei nos seus braços e senti a potência das suas mãos me imobilizando e me tomando para si. Senti gosto dos seus lábios nos meus. Um beijo macio, com calor, com ardor e avassalador. Suas mãos trêmulas e fortes, deliciosas e prazerosas, percorreram o meu corpo e o seu abraço me dominou instantaneamente.
O nossos calores tornaram-se um só e nos envolveu numa explosão de ardor e desejo que já era enorme, multiplicou-se em intensidade. Nos entregamos a um duelo, de um lado a fera, com unhas e dentes, mordendo e arranhando, do outro o caçador, dominando-a e domando-a.
A fome e a sede aumentaram e a fera, que tenho por dentro, foi dominada e deixou-se possuir. Porém possuída, também possuiu o caçador e teve para ela a sua língua, que a lambia e a explorava e por onde passava deixava molhado. O ar carregou-se de sussurros e gemidos, o cheiro do sexo selvagem, emanou-se por todos os cantos. Deliciados um pelo outro, a caça e o caçador, uniram-se e fundiram-se em um só.
Devagar, com cuidado, lentamente de fora para dentro e dentro para fora. Num beijo incendiaram e alucinaram os sentidos e ato que era terno, em instantes tornou-se selvagem. Os corpos ardiam com o ritmo, os sexos se completavam com a cadência.
O beijo, o desejo, o fogo, a caça e o caçador, a fera e o macho, eu e você!
Os corpos roçando, um recebia e o outro invadia, mas nos deleitávamos e explodimos!
Tua seiva jorrou e estremeci, eu gozei, você gozou e nos gozamos!
Ainda pude sentir teu jorro, quente e viscoso, escorrer de dentro de mim!
Acordei novamente, suada e molhada, tonta e cansada.
Incrédula, mas saciada e com o corpo em êxtase.
Procurei por você e não te encontrei ao meu lado. Tudo fora um sonho!
Um sonho tão bom, que eu não quero esquecê-lo. Levantei e decidi escrever.
Sempre que escrevo, algo acontece comigo, nunca é igual, as palavras fluem e os versos rimam, com uma destreza tamanha, uma loucura. Hoje é diferente, está mais fácil ainda, sinto uma vontade imensa para escrever, até parece que eu te ouço, que não sou eu quem escrevo, que  apenas anoto e transcrevo.
Algo me diz, que não foi só um sonho, algo me diz que você ainda está por aqui! Pois ainda sinto o meu tesão à flor da pele!

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